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2005.03.12
O
Último David. 
Renault 5
Maxi Turbo.
Os
5 Turbo, estreados depois do 17 e do 5 Alpine Turbo, representaram um regresso
às origens da Renault que, através dos Alpine A110, marcou definitivamente a
época áurea dos “tracção atrás”.
Com
um pequeno motor central turbo-comprimido de apenas 1397cc, o 5 Turbo que se
estreou na Volta à Córsega de 1980 pelas mãos de Bruno Saby, debitava 265
cavalos para apenas 900 quilos.
O
quarto lugar do piloto francês era o prenúncio de uma carreira de sucesso para
o pequeno carro, que teve a sua expressão máxima em duas vitórias no
Monte Carlo e outra na Volta à Córsega, para além da dupla conquista do
campeonato de França e outra do campeonato Espanhol. Mais tarde, também
Joaquim Moutinho viria a dominar o campeonato português com um destes carros,
vencendo inclusive a mais tragicamente célebre edição do Rali de Portugal em
1986.
A
sua leveza e superior agilidade, permitiram ao 5 Turbo performances excepcionais
dentro dos regulamentos do grupo 4. Mas em 1982 surgia o Grupo B e, com ele, uma
batalha impossível de travar para o pequeno Renault. Se o primeiro carro dentro
destes regulamentos - o
Lancia Rally 037 - era um fantástico e ultra-leve “tracção atrás”, todos os que se seguiram possuíam complexos e muito eficazes
sistemas de tracção integral, seguindo o caminho que a Audi preconizara em
1981 com a primeira versão do Quattro.
Depois
do domínio esmagador de carros como o Quattro Sport e o Peugeot 205 Turbo 16,
era improvável que algum fabricante voltasse a apostar num novo carro de duas
rodas motrizes. Mas a Renault propôs-se esse desafio e, em 1985, lançou um dos
mais exuberantes carros da época.
Na
manhã do primeiro dia de prova da Volta à Córsega de 1985, as atenções
estavam voltadas para a estreia de um novo Golias do Grupo B: o 205 Turbo 16
Evolution 2. Era irrealista esperar que um
carro de tracção atrás pudesse lutar pelos lugares da frente.
Mesmo assim, a Renault estreava uma última encarnação do 5 Turbo.
O
motor era uma evolução do mesmo bloco do 5 Turbo, agora com 1527cc. Com uma potência
anunciada de 350 cavalos, mas nalgumas provas a chegar bem perto dos 400. O Maxi
Turbo tinha mais binário que o Lancia 037 e até mesmo o MG Metro 6R4. Os números
impressionantes, combinados com o talento e a coragem de Jean Ragnotti, deram
frutos na estreia do carro. Num rally marcado pela morte de Attilio Bettega e
pelas desistências dos Audi e Lancia, não deixou de constituir uma surpresa
o facto do Renault 5 ter suportado os ataques dos 205 de Vatanen e Saby, batendo
os carros de tracção integral com alguma facilidade. E esta seria a ultima vez que um carro de tracção
traseira ganharia uma prova do Campeonato do Mundo.
O
“nosso Maxi”.
O
Maxi que o GTclube experimentou é “falso”. No entanto, seria errado dizer que nem
tudo o que luz é ouro, porque este Renault é, também ele, um carro
excepcional.
Tendo
por base um Turbo 2 de 160 cavalos, este 5 recebeu uma carroçaria completa do
Maxi Turbo, decorada com as mesmas cores do carro que levou Ragnotti ao pico do
pódio na Córsega. Ao vivo, esta réplica é verdadeiramente impressionante. Na
meia-luz de uma garagem, o seu aspecto é suficientemente ameaçador para manter
qualquer animal de estimação à distância e cortar a respiração às visitas
mais sensíveis. Se quando parado, este Renault impõe respeito, já em
andamento
tem o curioso efeito de colocar um sorriso infantil quer no condutor, quer no
acompanhante. Aquilo que poderia parecer um cordeiro em pele de lobo, surpreende
quando ao primeiro suspiro profundo do turbo se mostram todos os…250 cavalos!
Não é erro. Com um contemporâneo kit Cevennes , este Turbo 2 transformou-se
e muito.
De
condução algo delicada - como seria de esperar de qualquer carro com pouco
mais de 900 kgs, motor central e 250 cavalos - este Renault tem acelerações
brutais, fazendo completa justiça ao seu irrepreensível aspecto. Se, por um
lado, a inserção em curva é a esperada, já a forma como o carro dispara à
saída das curvas é desconcertante. Os níveis de tracção são perfeitamente
justificados por uns pneus traseiros com borracha suficiente para ocupar um dia
de produção de uma fábrica de solas. Aliás, as jantes de 12,5 polegadas
provenientes do Maxi, são um dos seus aspectos mais preciosos e raros desta réplica
perfeita, que proporciona um enorme prazer de condução.
Dir-se-ia
que este Renault é um clássico de sonhos, não fosse o caso de poder entrar na
garagem de qualquer leitor, já amanhã. O carro deste ensaio está colocado na
secção de classificados do GTclube, à espera de qualquer sonhador mais
atrevido. E
é uma verdadeira tentação.
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