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2005.04.05
Valeu
a pena?
Motorclássico
na FIL

Para
quem aprecia os veículos clássicos há, actualmente, três pontos altos em
termos de exposições nacionais. No centro do país um fantástico evento, mais
voltado para as peças e automobilia em geral: a já famosa Automobilia de
Aveiro. No norte, um evento fantástico que reúne automobilia, desporto automóvel,
clubismo, slot cars, concentração de clássicos e tudo o que faz as delícias
dos apaixonados dos motores. É o Autoclássico/Motorshow, uma organização dos
espanhóis Eventos del Motor. Mais a Sul, o evento directamente comparável até
pelo seu mediatismo é, sem dúvida, o Motorclássico.
Com
uma organização totalmente profissional, num espaço privilegiado como a FIL,
este salão chamou à capital, visitantes de todos os pontos do país. E eram,
efectivamente, muitos como se constatava pelas imensas filas da bilheteira e da
entrada do Pavilhão 3. Mas muita espera provoca muita expectativa e, nesta edição
do Motorclássico, a expectativa resultou em desilusão. Um espaço limitado
face ao número de veículos da feira, a falta de importantes expositores
estrangeiros, a repetição de carros já conhecidos dos “habitué” os
poucos carros de competição presentes e a falta de eventos exteriores à
exposição (como acontece por exemplo com a concentração de clássicos e o
rali relativos à exposição do Porto), foram motivos de decepção.
No
fim de tudo, não deixou de ser um salão de clássicos e, como em todos, há
sempre algo digno de realce. Foi o caso do interessante recheio do stand do
Clube Alfa-Romeo de Portugal.
Para
além de um Montreal, do Junior Zagato 1300 e do GTV de Adalberto Melim, havia
uma estrela especial: o Sprint Veloce Zagato construído para as 24 horas de Le
Mans. Este carro, pertença de Rodrigo Gallego (o campeão mundial de F1 em clássicos)
é um de apenas três exemplares construídos pela fábrica para participarem
oficialmente na prova, como nos foi simpaticamente explicado por um membro do
CAP presente no certame. Esta versão distingue-se pelas duas “bossas” no
tejadilho e irá animar as ruas do Porto no Grande Prémio da Boavista em
Junho.
Outro
carro raro a merecer destaque foi o fantástico Mercedes 28/95 de 1921, com
carroçaria Skiff em madeira. Um carro que tinha já 90 cavalos e atingia os 140
km/h, argumentos que o levaram a vencer a prova do Quilómetro de Arranque na
Avenida da Liberdade em 1922, pelas mãos do então seu proprietário Abílio
Nunes dos Santos. Uma verdadeira preciosidade trazida pela Mercedes a este salão,
juntamente com um exemplar do mítico 300 SL Gullwing, um belíssimo 500 K
Cabriolet e um exuberante 190E 2.5 16V EVO II, entre outros.
Mais
alguns carros brilharam na FIL, como o raro Allard J2X, o pequeno Fiat Abarth
695 SS, um Ferrari 275 GTS e um perfeito Lancia Aurélia B24 Spider.
Em
termos de curiosidades destaque para a Velosolex de recolha de lixo, no espaço da Câmara
Municipal de Lisboa, e das sempre jovens Vespas trazidas pelo Vespa Clube de
Lisboa, com algumas versões de competição a reunir muitas atenções.
Do
lado da organização, os 880.000 Euros transaccionados durante o Motorclássico
e a duplicação dos visitantes, são motivos de satisfação suficientes. Da
nossa parte, a dos entusiastas, ficamos a torcer para que no próximo ano se
atinjam as nossas expectativas.
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