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2005.05.20
Um dia na feira.
Automobilia Aveiro.

8:15 da manhã e o despertador põe fim a quatro curtas horas de sono. Mesmo
assim, curiosamente, o despertar é menos custoso do que num normal dia de
trabalho. Antes de partir para um pequeno-almoço reforçado, que a jornada não
permite grandes banquetes, tempo ainda para uma limpeza ao vidro da máquina para
que esteja no seu melhor. Há um prazer acrescido em usarmos um carro antigo com
um propósito. Normalmente deslocamo-nos para guiar um clássico, mas raramente
guiamos um clássico para nos deslocarmos. A sensação é especial. Assim como é a
sensação de fazer uma viagem que grande parte dos carros que nos acompanham na
estrada tem mais de 20 anos. Este é o fenómeno chamado Automobilia de Aveiro.
Todos
os anos milhares de entusiastas, coleccionadores ou meros curiosos, deslocam-se
em massa à cidade dos canais, para visitarem um dos eventos automóveis mais
ecléticos do ano. Automóveis, motos, partes de automóveis, partes de motos,
revistas antigas, revistas novas, autocolantes, brinquedos, bicicletas,
miniaturas, latas de óleo antigas, quadros, fotos, posters… Tudo o que esteja
minimamente relacionado com motores, é automobilia.
Mal
passo a portagem encontro um belíssimo Mini vermelho de tecto branco que segue
num ritmo calmo. Decido juntar-me a ele como forma de controlar a ansiedade de
lá chegar e assim evitar acelerar demais. 90, 100 kms/h parece-me uma boa média
até que a impaciência toma conta de mim e durante uns minutos salto para os 130
e depois 140 até apanhar mais um grupo. 3 franceses: um Méhari, uma Dyane e um
2CV. A ritmo lento, até ao parque de exposições, estes serão os meus
companheiros de viagem.
Lá chegados, os clássicos têm direito a estacionamento privilegiado. Como tal,
estaciono bem perto da porta de entrada. É ali que o meu companheiro de viagem
vai descansar umas horas. Tantas quantas o meu cansaço me permitir, porque ver
todos os stands com alguma atenção significa passar umas boas horas no recinto.
Antes
de entrar na feira propriamente dita, os visitantes eram atraídos pelo espaço do
Grande Prémio do Porto onde, para além de uma maqueta do circuito, era possível
apreciar as barchettas de Manuel Neto e Joaquim Bessa e um magnífico Alfa GTAm
trazido pelo Alfanord.
Lá
fora, estavam os simpáticos autocarros do passado representando a AMIBUS. Mais
precisamente um Ford, um Bedford, um Berliet e um Leyland PDR1 Special que faz
parte dos STCP.
Lá
dentro a atenção divide-se entre carros e motos. Impossível não ficar siderado
com os vários ícones de duas rodas que por lá se viam. Desde as várias Honda
Mini Trail e Amigo - que a avaliar pelo número presente nesta feira, nem
pareciam raras – às imensas Vespas. Muitas Vespas mesmo. Para todos os gostos.
Algumas que eram pouco mais do que um chassis ferrugento e outras rigorosamente
novas.
Destaque também para as imensas motorizadas portuguesas que agora parecem
conquistar um lugar de respeito entre coleccionadores e interessados. E neste
capítulo é de salientar a bela colecção apresentada pelo Centro Motociclista de
Gulpilhares que reuniu, entre outras, uma Casal Boss de primeira geração, uma
Casal Carina, uma Sachs V5 Ultra Sport e uma Vilar Cucciolo, todas elas alvo de
um apuradíssimo restauro e todas elas marcos incontornáveis da história do
motociclismo nacional.
Mosquito, Pachancho, Kreidler, Puch, Lambretta, eram apenas algumas das marcas
mais comuns na Automobilia, mostrando o carinho que os coleccionadores nacionais
nutrem pelas motos de baixa cilindrada. No entanto, também as havia maiores. BSA,
Harley, Ducati, Laverda, Hondas CB, Kawasaki KH.
No
plano dos automóveis e, para além dos vários exemplares (restaurados ou não), à
venda no interior e exterior dos pavilhões, as peças e acessórios são o grande
atractivo. Mesmo peças raras podem ser encontradas entre os muitos expositores
de várias nacionalidades. Entre caixotes cheios de óleo, dois motores Abarth
completos e brilhantes deixam-me especado. Assim como um par de bancos do BMW
série 6, mais ali ao lado, que me apetece comprar mesmo sem ter carro para eles.
Se calhar era um bom começo…
Enquanto se vasculha e investiga entre bancas de peças, as paragens são
constantes, porque a Automobilia é o sítio ideal para encontrar conhecidos. O
facto de ser no centro do país, faz com que seja perto para todos, o que
contribui imenso para as enchentes deste evento.
Até me
cansar, ainda há uma ou duas raridades que me detêm, como o Lombardi Abarth, um
Mini turbo (!!!) e algumas miniaturas muito desejáveis.
Às 4
horas da tarde, e já com as pernas a pedir descanso, é hora de voltar para casa
nas calmas. Mas mesmo antes da portagem avisto um Midget que vai rapidinho. E se
eu fosse com ele?
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