2005.07.05

Uma festa para a história. 

Concentração/Desfile de Automóveis Antigos da Cidade do Porto.

  


Como aperitivo para o Grande Prémio Histórico, a Câmara Municipal do Porto e o Clube Português de Automóveis Antigos organizaram a maior concentração de automóveis antigos de que há registo. Com 1507 veículos inscritos, esta mega-concentração arrasou o anterior record mundial que contava 959 carros.


Desde cedo, a estrada da Circunvalação – então fechada ao trânsito - encheu-se de carros clássicos. Às 11 horas, as duas filas de belíssimas máquinas começavam na marginal e acabavam quase na rotunda AEP. A espera para entrar no recinto da antiga Feira Popular prolongou-se durante cerca de 3 horas. Mas a espera foi uma das melhores partes da festa.

 

Enquanto se empurravam os carros estrada abaixo – uma vez que o ritmo permitia nem ligar os motores – metia-se conversa com o carro do lado, contavam-se histórias de restauros, de compras, de corridas, falava-se de peças e de oficinas. Enfim, aquilo que os entusiastas gostam de fazer. Foi, sem qualquer dúvida, o melhor engarrafamento de todos os tempos.
 

Chegando ao recinto, impressionava a organização na colocação dos carros. Não fosse a pressa de alguns participantes e também a saída teria sido muito ordeira.
 

Depois de um belo almoço havia um pequeno espaço de tempo até à saída dos carros, que pôde ser usado para ver de perto as centenas de máquinas. A dúvida era por onde começar. Para além dos já esperados clássicos populares como os carocha, Mini, Fiat 600, 500 e 850, Datsun 1200, impressionava o número de exemplares das marcas de elite: Ferrari, Lamborghini, Jaguar, Bentley, Rolls, Porsche, Aston-Martin, Lotus e até um Bugatti trazido por Carlos Barbot.
 

No meio de tantos carros destacavam-se alguns com história como o Porsche 911 de Domingos Santos e até o carro que venceu uma das corridas da primeira edição do circuito da Boavista. Destaque ainda para um raríssimo exemplar do Porsche 911 com a sua designação original de 901, código que foi abandonado ao fim de 82 unidades, porque a Peugeot havia já registado essa designação.
Depois de tentar ver o máximo de carros possível, era hora de entrar nas máquinas para percorrer o circuito, em torno do qual se juntaram largas centenas de pessoas que, divertidas, acenavam e apontavam para os seus carros favoritos, num dos maiores momentos de animação da cidade Invicta de que há memória.
 

Mesmo que a entrada no Guinness Book of Records não fosse uma realidade, este desfile teria igualmente ficado gravado na história através das recordações dos milhares de participantes e espectadores, que jamais poderão esquecer tamanho dia. Haverão sempre os habituais detractores que procurarão ampliar as pequenas falhas para tentar fazer passar a ideia de que foi um mau evento. Mas outra coisa não seria de esperar, num país onde um pão com chouriço gigante ocupa mais tempo de noticiário do que a maior concentração de automóveis clássicos do mundo. O que importa, é que para a história apenas fica o feito e a ousadia dos seus organizadores.