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2005.07.20
Aquilo de que são feitos os
sonhos.
Grande Prémio Histórico do Porto.
Na
Rua da Vilarinha, entre muros e rails ameaçadores, Michael Schryver faz ouvir
bem alto o som do motor do mesmo carro com que Surtees bateu o recorde do
Circuito da Boavista em 1960, a uma média de 180,744 km/h. As pessoas, de cima
dos muros, decoram os limites da pista. Os moradores mais velhos, entusiasmados,
esticam o pescoço para fora da janela de casa. E é quanto lhes basta para ver
bem de perto o Lotus 18. Por detrás dos portões ladram cães à passagem dos
bólides que espalham o seu grito entre as paredes, dentro da tasca, para lá dos
telhados e até bem longe da Circunvalação.
Desde a última visita da Fórmula 1 à cidade do Porto, este desporto tornou-se
mais racional e regrado. Por esse e por outros motivos, desapareceram os
paralelos e os trilhos do eléctrico que elevavam o desafio da velocidade a
níveis excessivamente perigosos. Mas, felizmente, correr na Boavista não deixa
de ser um desafio. Com zonas muito rápidas, seguidas de curvas fechadas para
zonas muito estreitas, uma descida sinuosa e os pouco misericordiosos muros de
betão a limitar toda a pista, este circuito requer bravura. Também por essa
razão, assistir ao Grande Prémio da Boavista é, efectivamente, regressar aos
anos de ouro do automobilismo. Esta aparente loucura e o clima de emoção foram
os ingredientes que trouxeram popularidade ao automobilismo. Hoje, numa era em
que o desporto automóvel é cada vez mais condicionado por regras de segurança,
de economia ou de ambiente, é bom saber que continuarão a existir lugares em que
o espírito da modalidade está bem vivo. E saber que um desses raros lugares fica
no nosso país, é um especial motivo de orgulho.
Para quem vive no Norte de Portugal, é difícil falar desapaixonadamente da zona
da Foz do Douro. O cheiro do mar, o calor, a magnífica paisagem, as belas casas
antigas, as pessoas que se passeiam pela longa Avenida, tudo faz parte do seu
encanto. Se durante 3 dias juntarmos a tudo isto um clima de festa composto por
390 carros de sonho, 460 pilotos e um programa de 15 corridas e respectivos
treinos, não há melhor lugar no mundo para se estar.
O espectáculo do automobilismo clássico, começa no próprio paddock onde
se pode ver de perto carros que todos os entusiastas conhecem, mas que poucos
terão visto. E neste capítulo, impressiona o estado de conservação da maior
parte dos veículos trazidos ao Grande Prémio do Porto. Estas são máquinas que,
felizmente, se mantêm em actividade mas de cujos proprietários não descuram a
conservação. Excepção feita a alguns carros que se mantêm originais (não
restaurados) desde os seus dias de glória, todo o paddock é preenchido
por cromados brilhantes e linhas magníficas.
Na verdade, todo o ambiente do paddock espelha o espírito das provas do
passado. Por contraste com as imponentes motorhomes do Campeonato
Espanhol de GT, era possível encontrar pilotos que nada mais traziam do que uma
station, um atrelado, o carro de corrida e o mesmo tipo de bagagem de um
qualquer campista.
No que diz respeito às provas, este foi um fim-de-semana de contrastes, o que
contribuiu para um espectáculo animado e nada monótono. È interessante no mesmo
evento poder comparar a brutalidade dos GT com a delicadeza dos pré-guerra ou a
condução limpa das Gentleman Series com a condução muito pouco “gentleman” do
Troféu Datsun 1200.
Mas muito já foi dito e repetido sobre as competições do fim-de-semana mais
importante do automobilismo nacional dos últimos anos. O que nunca será demais
repetir, são os elogios e os agradecimentos à organização que concretizou um
sonho de toda a comunidade nacional de aficionados do automobilismo, vencendo as
críticas de todos os que não veêm para além dos incómodos inerentes à
organização de tal evento. Graças ao arrojo e à ambição de todos os
organizadores, prevê-se que em 2007, a capital do Norte seja o palco das
comemorações do aniversário da Historic Grand Prix Association, marcando
definitivamente o seu lugar no mapa dos eventos históricos.
Classificações:
F1 Pré 61
1º Stefan Shollwoeck - Maserati 6CM
2º Mac Hulbert - ERA R4D
3º Paul Grant - Cooper Bristol
F1 Pré 66
1º Michel Schryver - Lotus 18
2º Barry Cannel - Cooper T53
3º Adrian Van der Krfot - Cooper T51
Sport Pré-War
Roger Saul / Calum Lockie - Alfa-Romeo P3B
Chris Chilcott / Sam Stretton - Frazer Nash
James Baxter / Bill Ainscough - Alfa Romeo Monza
Gentleman Drivers GT Endurance
Irvine
Laidlaw / James Diffey - Porsche 904/6
Jeremy Welch / Denis Welch - Austin Healey
Richard Wills / Rick Hall - Lola MK I
Gentleman Drivers Sports Challenge
Howard Redhouse / Stuart Wright - Lotus 30
Danny Wright - Cooper Monaco
Ivan Scotti - Elva Mk VIIS BM
Lurany Trophy
Michael Schrvyer - Lotus 22
Urs Eberhardt - Lotus 27
Denis Welch - Merlyn Mk5
Masters GT
Corrida 1
Manuel Gião - Mosler MT 900R
Pedro M. Breyner - Porsche GT3 RSR
Klaas Zwart - Ascari KZ 1A 10
Corrida 2
Pedro M. Breyner - Porsche GT3 RSR
Klaas Zwart - Ascari KZ 1A 10
Miguel Pais do Amaral /
Jose Pedro Fontes - Ferrari 360 Modena
Troféu Datsun 1200
Corrida 1
Jorge Antunes
Rui Xavier
Francisco Guedes
Corrida 2
Jorge Antunes
Marcos Teixeira
Nuno Veloso
TNCV
Corrida 1
Miguel Amaral Lola T 70 MK III
Carlos Barbot Lola T70
Ribeirinho Soares Lola T 212
Corrida 2
Miguel Amaral - Lola T 70 MK III
Jonathan Baker - Lola T292
Ribeirinho Soares - Lola T 212
CNCV
Corrida 1
Joaquim Jorge - Ford Escort RS
Rui Manuel Costa - Ford Escort RS
António Nogueira - Ford Escort RS
Corrida 2
Joaquim Jorge - Ford Escort RS
Rui Manuel Costa - Ford Escort RS
Rui Costa - Ford Escort RS
GT/Sport 50 e 60
Adrian Van der Kroft - Cooper T39
Marshall Bailey - Cooper T39
Michael Steele - HWM Jaguar
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