2005.10.02

o circo monomarca. 

World Series by Renault

  

No ano de 1987,a Renault estreou entre nós um formato de corridas até então inédito em terras lusas a que decidiu chamar Finais Renault. Era, na sua essência, uma montra das máquinas do losango, com o pretexto de se realizarem corridas entre os pilotos que disputavam as taças Renault por toda a Europa. O público assistia a emotivas corridas com os saudosos R5 GT Turbo, os pilotos estrangeiros tinham a possibilidade de correr em circuitos fora de portas e os nacionais mediam forças com a restante concorrência europeia.

Na época, as técnicas de comunicação e de marketing eram ainda algo rudimentares, especialmente se comparadas com as utilizadas na era da globalização e da Internet. O conceito das Finais Renault da década de 80 também evoluíu. De tal forma que a Renault aproveita agora para montar, em qualquer circuito por onde passem as World Series, um verdadeiro espectáculo integrado de culto e promoção da marca. Fortemente ancorada na imagem de sucesso granjeada no Mundial de Fórmula 1, a marca francesa aproveita para mostrar, sem rodeios nem complexos, todo o seu universo, da competição ao automóvel de todos os dias.

Assim, desde a parada e desfiles de automóveis históricos, dos de grande produção até às imortais máquinas que escreveram páginas de ouro do automobilismo de competição, seja em Le Mans, no Tour de Corse, ou nos Grandes Prémios de F1, até aos concept cars, passando ainda por um programa de corridas muito válidas com objectivos bem definidos: uma competição de Clio de Troféu, uma outra de Méganes "supersónicos" (ou Fórmulas carenados?), que proporcionam a desejada identificação com o público, em corridas sempre agressivas e atléticas; uma competição de caça talentos (Formula Renault 2.0); e uma verdadeira F3000, herdeira das WS by Nissan, para quem procura o último patamar de acesso à mítica F1.

Este programa seria igual a tantos outros day at the races se a Renault não tomasse outra decisão que o torna único no panorama automóvel em Portugal, pelo menos nesta dimensão: o acesso do público é ilimitado, incluindo ao Paddock. O que significa que todos, sem excepção, podem aceder ao mundo dos bastidores numa atmosfera que é, tantas vezes, fabricada com demasiado show-off. O que se perde em glamour e em sossego nas boxes, ganha-se em visibilidade e espontaneidade. Quem paga o espectáculo agradece porque trazer a um dia de corridas, onde só existem automóveis daquela marca, tantos potenciais consumidores, muitos deles que nunca iriam ver uma corrida in loco, não é despiciendo em termos de retorno de investimento.

É, portanto, uma atmosfera em que se respira azul e amarelo. Na demonstração de um F1 no circuito, com Montagny ao volante. No paddock, com a reprodução fiel de uma box em dia de GP, com bólides reais, aptos a rodar. Nos simuladores de F1, nos vários stands de parceiros da marca (Michelin, Bosch), onde se pode tomar contacto com as inovações tecnológicas incorporadas nos veículos do construtor francês. E, para alguns convidados, ainda era possível efectuar baptismos de pista em carros de competição, incluindo Fórmulas bilugares.

Estavam, assim, lançados os dados que permitiriam ver o autódromo pleno de "famílias", o que vai sendo fenómeno raríssimo em qualquer evento desportivo de hoje, e é mais característico dos concertos dos Rolling Stones...
Os cerca de 50.000 espectadores no autódromo no Domingo são, assim, o melhor carimbo do sucesso da organização do evento e, mais importante ainda, da demonstração clara e inequívoca de que a paixão dos Portugueses pelos automóveis não esmoreceu. Assim lhes sejam apresentados bons e atractivos programas de automóveis. "

Texto e fotos de:
Vasco Correia da Silva