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2006.09.15
O poder da promoção.
Caramulo Motor Festival 2006

Ao
longo da história do automobilismo nacional, muitos foram os eventos que se
perderam por falta de meios de promoção. Sem promoção não há público, sem este
não há patrocinadores e sem patrocinadores, não há recursos. Um ciclo vicioso
que ditou o final de algumas provas interessantes, nomeadamente rampas, como a
Falperra e o Caramulo.
Hoje, com novos meios de comunicação ao dispor e uma maior facilidade de chegar
aos entusiastas, renovam-se as esperanças para algumas provas perdidas no tempo.
A prova disso foi o Caramulo Motor Festival.
O Museu do Caramulo, não só recuperou a rampa, como lhe acrescentou algumas
actividades como a Automobilia, uma exposição temporária da história da Fiat (no
espaço Museu) e um rali de regularidade histórica. Usando estes argumentos numa
forte promoção por todos os meios, a organização conseguiu o feito de reunir um
número de espectadores como há algum tempo não se via neste tipo de eventos. Mas
porque não há bela sem senão, a organização fez uma escolha discutível no que
diz respeito à calendarização da Rampa.
No
Sábado foram feitos os treinos e subidas cronometradas a contar para o
Campeonato Nacional de Rampas e, para Domingo, ficaram apenas os treinos e
subidas a contar para a chamada Rampa Histórica do Caramulo. Os principais
prejudicados com esta escolha foram os entusiastas que se deslocaram de zonas
mais distantes - alguns fazendo 200 kms – para ver um programa de corridas muito
reduzido. A título de exemplo, o programa de Domingo previa subidas até às 18h e
terminou pouco depois das 16h, já contando com um atraso motivado pelo acidente
de um piloto. Depois de tão eficaz e pomposa divulgação, ficou um sabor a pouco
para quem escolheu o derradeiro dia do Motor Festival para se deslocar ao
Caramulo. Talvez numa próxima edição, a organização adopte o esquema mais
convencional de juntar as subidas de treinos num primeiro dia e todas as provas
cronometradas no segundo, de forma a não obrigar os entusiastas a fazer a
difícil escolha entre a velocidade pura dos mais modernos e o espectáculo dos
mais antigos. Sendo certo que as opções da organização terão motivos plausíveis,
o público sairia muito beneficiado com a concentração da acção.
A
Rampa Histórica do Caramulo, ainda que não totalmente histórica – uma vez que
incluía carros de eras modernas – proporcionou um curto mas interessante
espectáculo. As principais atracções foram, naturalmente, o Marcos LM 600 de
António Nogueira e o Bugatti B35, propriedade do Museu do Caramulo, guiado por
Tiago Patrício Gouveia.
Se o
primeiro foi guiado com natural precaução pelo versátil “gentleman driver”, uma
vez que este não era o”habitat” natural do carro, já o velho Fórmula 1 azul
parecia estar como peixe na água. O director do Museu do Caramulo guiou o carro
de forma destemida, revelando um andamento que surpreendeu a maioria dos
espectadores. As subidas do Bugatti foram talvez os momentos mais espectaculares
do dia, recriando imagens que só estamos habituados a ver a preto e branco.
O
histórico mais rápido foi o Opel Manta 1900 de Luís Alegria, com o piloto a
fazer subidas verdadeiramente rápidas e emocionantes, completando o percurso em
apenas mais 5 segundos do que António Nogueira.
Na
terceira posição da geral ficou o Porsche 911 de João Matos, também ele com um
bom andamento e exibindo igualmente bons momentos de condução.
Feito o balanço e, tendo em conta a atmosfera vivida ao longo do fim-de-semana,
a aposta do Museu do Caramulo está ganha e a edição de 2007 parece ter o seu
público garantido.
Texto: Hugo Reis
Fotos:
Rui Reis
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