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2006.06.14
Anos 80: a economia do prazer.
Os pequenos desportivos.

Nas
décadas de 60 e 70, as transformações sociais e a prosperidade económica da
maior parte dos países desenvolvidos, criaram um ambiente único para o
crescimento da indústria automóvel. A imaginação dos carroçadores e engenheiros
viveu dias de grande liberdade. Desde os pequenos carros para as cidades cujo
espaço e mobilidade se ressentiam do “baby boom”, aos exuberantes GT com raízes
nas mais diversas modalidades automobilísticas, passando pelos pequenos e
espartanos desportivos destinados ao emergente mercado dos condutores
adolescentes, novos modelos nasciam a cada dia e os salões internacionais eram
mais agitados do que nunca.
A sociedade de consumo prestava um grande serviço aos amantes dos automóveis,
absorvendo avidamente os mais arrojados conceitos. Aqueles que um dia viriam a
ser os clássicos mais desejados.
Comparativamente, os anos 80 seriam uma travessia no deserto no que diz respeito
à produção de veículos orientados para o puro prazer de condução.
Os tempos da Pop e dos excessos, davam agora lugar a um clima económico e
político mais apreensivo e sério.
A pele e a madeira cediam ao vinil. O cromado era deposto pelo plástico.
Dezenas de construtores independentes e de pequenas dimensões, deixavam de
encontrar os seus nichos e fechavam portas. O mercado automóvel passava a ser
feito exclusivamente de economias de escala e escassos foram os produtores
“artesanais” que sobreviveram aos anos do “racional”.
O mundo havia mudado, mas os entusiastas dos automóveis continuavam a existir.
Para responder aos anseios dos condutores que resistiam em entregar-se ao design
angular e a ver o carro como um monótono meio de transporte, era necessário
criar um novo tipo de resposta. A necessidade de produzir muito, investindo o
mínimo possível, punha de parte as ideias mais ousadas. A transmissão clássica,
os coupés e roadsters desportivos, não encontravam mercado suficiente para pagar
os custos de desenvolvimento, agora cada vez mais onerosos graças a medidas
ambientais e de segurança.
A resposta que os construtores procuravam teria de permitir conciliar a emoção
da condução, com um “layout” orientado para os aspectos práticos e económicos.
Para encontrá-la, não foi preciso re-inventar a roda. Os pequenos desportivos de
tracção, ou hot-hatch - como viriam a ser rotulados – foram uma “invenção”
reclamada pelos germânicos com o íconico Golf GTI. Feito esse, pronta e
orgulhosamente negado pelos italianos, que lembram que o Alfasud Ti foi o
vencedor dessa corrida no tempo. Mas na verdade, os britânicos eram quem,
legitimamente, encontravam nesta descoberta um motivo para inchar a sua vaidade.
Pois o que foi o Mini Cooper S, senão o pioneiro do espírito “hot-hatch”? Uma
base orientada para a economia, uma mecânica vitaminada, uma suspensão mais
ousada e eis um carro de compras transformado num excitante desportivo.
Ao longo da década de 80, seria esta a fórmula encontrada para apimentar as
gamas das mais variadas marcas. E assim se desenvolveram as capacidades dos
carros de tracção a pontos de serem criados alguns modelos que hoje são ícones
entre os desportivos. O Peugeot 205 GTI, O Golf GTI e o Renault 5 GT Turbo são
apenas os exemplos mais evidentes.
O que é certo, é que estes e outros modelos rapidamente passaram a preencher os
sonhos de vários entusiastas. E se vistos à distância de 20 anos, estes carros
já não são tão impressionantes como nos pareciam, o fascínio infantil é aquele
que domina os nossos sentimentos.
Prova disso mesmo é o facto de já existir um clube atento a estes pré-clássicos.
O Viana Motor Clube organizou recentemente um encontro destinado a juntar
proprietários e aficionados de carros desportivos dos anos 80. Tratou-se do I
Encontro de Automóveis G.T. que não foi mais do que um encontro de “amigos” que
possuem automóveis que ainda não são Clássicos mas que, devido às suas
características puramente desportivas que foram transportadas para a competição
Automóvel nas suas épocas, o serão dentro de poucos anos. Neste primeiro evento
do Viana Motor Clube recordaram-se modelos como Renault 5 GT Turbo, VW Golf Gti,
BMW 320 iS, Toyota Corolla GT Twin Cam, Citroen BX 16V, MG Metro Turbo, etc.,
que depois de um passeio pela zona de Viana, animaram o kartódromo local com uma
prova de regularidade e outra de sprint, onde a adrenalina e o espectáculo
subiram de tom.
A este jovem clube e a todos os proprietários que, inteligentemente, preservam e
fazem o culto destes ícones de um passado recente, o GTclube endereça os mais
sinceros parabéns.
Texto: Hugo Reis
Fotos:
David Guimarães e Hugo Reis
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